FUNÇÕES BIOLÓGICAS DAS CERAS
As ceras
apresentam diversas funções na natureza, especialmente por ter propriedade
repelente à água e sua consistência firme. Dentre as principais funções,
merecem destaque: Reserva energética – especialmente importante para a
população de organismos marinhos flutuando livremente e que estão na base da
cadeia alimentar dos ecossistemas aquáticos (o plâncton). Impermebializante –
Alguns animais vertebrados possuem glândulas na pele que secretam ceras. A cera
secretada por essas glândulas protegem o pêlo e a pele desses mantendo-os
flexíveis, lubrificados e à prova de água (impermeáveis). Os pássaros marinhos,
inclusive, secretam ceras de suas glândulas para manter suas penas repelentes à
água, evitando o acúmulo de um sobrepeso – representado pelo líquido – sobre
suas asas que comprometeria sua mobilidade no ar e na água. Proteção contra
evaporação e ataque de parasitas. As folhas brilhantes de azevinhos,
rododentros, marfim venenoso e muitas outras plantas tropicais são cobertas por
uma grossa camada de cera. Essa camada de cera serve para impedir a evaporação
excessiva da água – evitando sua desidratação – e proteger a planta do ataque
de parasitas.
LIPÍDIOS DE MEMBRANAS BIOLÓGICAS
Os
lipídios que entram na composição das membranas das células são moléculas
anfipáticas. Esses lipídios apresentam uma cadeia hidrocarbonada apolar
(denominada cauda) e um grupo polar (denominado cabeça). Essa estrutura em
bicamada é estabilizada por interação hidrofóbica, que ocorre com a associação
das caudas apolares desses lipí- dios, e as interações hidrofílicas – como
pontes de hidrogênio – que ocorrem com os grupos polares e a água.
CLASSIFICAÇÃO DOS LIPÍDIOS DE MEMBRANAS BIOLÓGICAS
Os lipídios de membranas biológicas são agrupados
em três classes: glicerofosfolipídios, esfingolipídios e colesterol. Os
glicerofosfolipídios e esfingolipídios se agrupam em duas subclasses:
fosfolipídios e glicolipídios. Os fosfolipídios são lipídios de membranas que
apresentam fosfato em suas estruturas. Os glicolipídios são os lipí- dios que
apresentam como grupo polar um monossacarídeo ou oligossacarídeos. A enorme
diversidade de estruturas químicas que se observa nas classes dos lipídios de
membranas se deve às diversas possibilidades de combinações das cadeias
hidrocarbonadas dos ácidos graxos e com os grupos químicos que podem formar as
cabeças polares.
GLICEROFOSFOLIPÍDIOS OU FOSFOGLICERÍDEOS
Estruturas dos glicerofosfolipídios. Os
glicerofosfolipídios ou fosfoglicerídeos são os lipídios de membranas mais
abundantemente encontrados nas membranas das células. Todos os lipídios dessa
classe são derivados do ácido fosfatídico. O ácido fosfatídico é uma molécula
formada por glicerol, duas unidades de ácidos graxos e um grupo fosfato. As
molé- culas de ácidos graxos se ligam às hidroxilas (OH) do primeiro e do
segundo carbono do glicerol e o grupo fosfato se liga a OH do terceiro carbono
do glicerol.
Tipos de glicerofosfolipídios. Os glicerofosfolipídios são
classificados de acordo com o álcool ligado ao grupo fosfato em:
fosfatidilcolina (lecitina), fosfatidiletanolamina (cefalina),
fosfatidilglicerol e fosfatidilserina (Figura 13). Os ácidos graxos
freqüentemente encontrados nos glicerofosfolipídios apresentam uma cadeia
hidrocarbonada contendo entre 16 e 20 átomos de carbono. Os ácidos graxos
saturados são encontrados, geralmente, no C-1 do glicerol, enquanto a posição
C-2 é freqüentemente ocupada por ácidos graxos insaturados.
ESFINGOLIPÍDIOS
Os esfingolipídios são formados por uma molécula
de esfingosina (um aminoálcool de cadeia longa), um ácido graxo de cadeia longa
e um grupo polar. Os carbonos, C-1, C-2 e C-3 da molécula de esfingosina são
estruturalmente análogos aos três grupos hidroxila do glicerol, diferindo
apenas pelo fato de que no C-2 é encontrado um grupo amino (NH2 ), em vez de
uma OH. Quando o ácido graxo está ligado ao grupo -NH2 do C-2, o composto
resultante é uma ceramida. Vale destacar, que a ceramida é o precursor
estrutural de todos os esfingolipídios. Os esfingolipídios, todos eles
derivados da ceramida, são classificados em: esfingomielinas e
glicoesfingolipídios. Os glicoesfingolipídios, por sua vez, são subdivididos
em, globosídeos, cerebrosídeos e gangliosídeos.
ESFINGOMIELINAS
As esfingomielinas possuem a fosfocolina ou a
fosfoetanolamina como seu grupo polar ligado ao C-1 da ceramida. As
esfingomielinas estão presentes na membrana plasmática de células animai e na
bainha de mielina (membrana que envolve e isola os axônios dos neurônios).
GLICOESFINGOLIPÍDIOS
Os glicoesfingolipídios possuem uma ou mais
unidades de monossacarídeos como grupo polar ligado à hidroxila (OH) do C-1 da
ceramida. São agrupados em 4 classes: cerebrosídeos, globosídeos e
gangliosídeos.
CEREBROSÍDEOS
São glicoesfingolipídios que apresentam apenas uma
unidade de monossacarídeo ligado à ceramida. Os cerebrosídeos de galactose são
encontrados na membrana plasmática de células dos tecidos nervoso. São
denominados galactocerebrosídeo. Os cerebrosídeos de glicose são encontrados em
membranas de tecidos não neurais e são denominados glicocerebrosídeo.
GLOBOSÍDEOS
São glicoesfingolipídios formados por duas ou mais
unidades de monossacarídeos, normalmente di, tri e tetrassacarídeos. Os
monossacarídeos que entram na composição desses lipídios são D-glicose,
D-galactose ou N-acetil-D-galactosamina. Os globosídeos são encontrados na face
externa da membrana plasmática, voltando-se para a matriz extracelular.
GANGLIOSÍDEOS
São os glicoesfingolipídios que apresentam
estruturas químicas bem mais complexas quando comparados aos demais
esfingolipídios. Nesses lipídios, o grupo polar é uma cadeia de oligossacarídeo
formado por várias unidades de monossacarídeos que se ligam a OH do C-1. O que
os diferencia dos globosídeos, é que nos gangliosídeos uma ou mais unidades de
monossacarídeos são de ácidos N-acetilneuramínico (ácido siálico). Os
gangliosídeos estão presentes em cerca de 6% da massa cinzenta do cérebro e em
menores quantidades em tecidos não neurais. Os nomes dos gangliosídeos incluem
letras e números subscritos. As letras M, D e T indicam que a molécula contém
um, dois ou três resíduos de ácido siálico, respectivamente. Já os números
designam a seqüência de açúcares ligados à ceramida. Os gangliosídeos GM1, GM2
e GM3 são os mais conhecidos.
ESTERÓIDES
Os esteróides são lipídios que se caracterizam por
conter o núcleo esteróide composto de quatro anéis fundidos, A, B, C e D. Os
esteróides não são formados por ácidos graxos. O colesterol é o principal
esteróide presente nos tecidos animais, frequentemente encontrado nas membranas
das células animais. O colesterol é uma molé- cula anfipática, cujo grupo polar
é uma hidroxila que se liga ao C-3 do anel A. O grupo apolar do colesterol
compreende tanto parte do núcleo esteróide quanto a longa cadeia hidrocarbonada
que se liga ao carbono 13 do anel D.
Os ácidos biliares são esteróides formados a
partir do colesterol. Como exemplo, temos o ácido taurocólico, cuja cadeia
lateral no C17 do núcleo esteróide é hidrofílica. Os ácidos biliares atuam como
detergentes nos intestinos, emulsificando as gorduras provenientes da dieta
alimentar. Dessa forma, a ação dos agentes emulsificantes facilita a ação das
lipases digestivas, enzimas que hidrolisam as gorduras obtidas da alimentação.
Os hormônios sexuais e do córtex da glândula
adrenal são lipídios da classe dos esteróides. Exemplos dessa classe de
esteróides são a testosterona (hormônio sexual masculino), o estradiol
(hormônio sexual feminino), o cortisol e a aldosterona (hormônios do córtex
adrenal).
METABOLISMO CELULAR
É o conjunto de reações químicas que ocorrem na
célula para que ela possa desempenhar suas atividades.
ATP = ADP + Pi + Energia
As moléculas de ATP não podem ser estocadas, desse
modo, as células armazenam energia principalmente na forma de glicídios e
lipídios.
Quando a célula precisa de ATP, elas metabolizam
preferencialmente a glicose (da alimentação) por meio da Fermentação e da
Respiração Celular, enquanto que os autótrofos produzem sua própria glicose por
meio da Fotossíntese.
