PROTEINAS
As proteínas são as
biomoléculas mais abundantes da matéria viva, representando cerca de 50 a 80%
do peso seco da célula (sem o peso da água) sendo, portanto, o composto mais
abundante de matéria viva. Nos animais, as proteínas correspondem à cerca de
80% do peso dos músculos desidratados, cerca de 70% da pele e 90% do sangue
seco. São compostos orgânicos formados por carbono, hidrogênio, nitrogênio e
oxigênio, e enxofre. Algumas proteínas contêm elementos adicionais, particularmente
fósforo, ferro, zinco e cobre. Essas biomoléculas apresentam elevadas massas
moleculares. São encontradas em todas as partes das células e desempenham
funções fundamentais na manutenção dos processos vitais de todos os organismos
vivos como o transporte de oxigênio, função essa desempenhada no sangue pela
hemoglobina e nos tecidos pela mioglobina. Daí por que o motivo que explica o
termo proteína ser derivado da palavra grega proteos, significando “a primeira”
ou a “mais importante”. Todas as proteínas são formadas a partir do mesmo
conjunto dos 20 aminoácidos padrões, ligados covalentemente em seqüências
lineares características, sequências essas denominadas estrutura primária.
ALGUMAS FUNÇÕES BIOLÓGICAS DAS PROTEÍNAS
As proteínas são as biomoléculas com as mais
diversas e versáteis funções biológicas, como: Catalisadores biológicos
(enzimas). Aceleram velocidade de reações quí- micas. Exemplos: As enzimas
ribonuclease, tripsina, etc. Proteínas de transporte. Atuam no transporte de
moléculas nas células, como por exemplo, a hemoglobina que transporta oxigênio
dos pulmões para os tecidos e a mioglobina, que armazena oxigênio nos músculo,
transportando-o, quando necessário para as mitocôndrias. Proteínas nutritivas e
de reserva energética. São nutrientes necessá- rios no desenvolvimento dos
seres vivos e na manutenção dos seus processos vitais. Exemplos: gliadina,
proteína das sementes de trigo, é necessária na germinação dessa planta; zeína,
encontrada nas sementes do milho; ovoalbumina, proteína clara do ovo, é o
alimento do embrião Proteínas contráteis ou de movimento. Desempenham função
contrátil ou de conferir movimento. A actina e a miosina, proteínas dos
músculos envolvidas na contração muscular. As dineínas são famílias de
proteínas motoras que executam movimentos. Proteínas estruturais. São as
proteínas que dão forma e sustentação aos tecidos, como por exemplo: colágeno,
elastina, a e b-queratinas, etc. Transportadores de elétrons. Essas proteínas
transportam elétrons das coenzimas (NADH e FADH2 ) produzidas no metabolismo ao
oxigê- nio, o aceptor final de elétrons na célula como os citocromos, proteí-
nas da cadeia respiratória. Proteínas de defesa. Atuam na defesa de seres vivos
contra ação de pató- genos (agentes causadores de doenças como vírus, fungos e
bactérias), de predadores, etc. O veneno de serpente contém proteínas tóxicas,
que uma vez lançada na circulação de suas presas ou de seus predadores, podem
levá-los a morte. A ricina, toxina vegetal encontrada nas sementes da mamona, defende
essa planta do ataque de herbívoros, evitando, assim, que eles comam as suas
sementes. Os anticorpos são proteínas secretadas pelos linfócitos b, cuja
função é proteger o corpo do ataque de antígenos, como bactérias. Proteínas
reguladoras. Atuam na regulação nos níveis de determinados constituintes
celulares. A insulina, hormônio protéico, regula os níveis da glicose
sangüínea. Quando a glicose está elevada no sangue, a insulina é secretada
pelas células b do pâncreas, facilitando a passagem da glicose pelas membranas
celulares, para que ela seja armazenada na forma de glicogênio.
VALORES NUTRICIONAIS DAS PROTEÍNAS ANIMAIS E VEGETAIS
Para um
alimento ser considerado uma boa fonte de proteína, deve apresentar as
seguintes características: ser rico em aminoácidos essenciais, ser de boa
digestibilidade e não conter princípios tóxicos. As proteínas vegetais são
importantes fontes de alimentos para homens e animais domésticos, contudo, o
valor delas como excelentes fontes de proteínas é limitado por: sua baixa
composição em aminoácidos essenciais, sua baixa digestibilidade e, em alguns
casos, como as sementes de algodão e mamona, por apresentar princípios tóxicos
para homem e animais. Por sua vez, as proteínas obtidas de fontes animais são
ricas em aminoácidos essenciais e são de boa digestibilidade, sendo
consideradas melhores do que as proteínas vegetais em termos nutricionais. As
proteínas ovoalbumina, obtida da clara do ovo, a caseína, do leite, são
excelentes fontes protéicas de origem animal. Contudo, existem proteínas
animais pobres em aminoácidos essenciais, como o colágeno. A gelatina é um
produto alimentício obtido da hidrólise do colágeno, portanto, essa não é uma
boa fonte protéica.
CLASSIFICAÇÃO DAS PROTEÍNAS QUANTO À SOLUBILIDADE
Quanto
à solubilidade ou insolubilidade em água as proteínas são classificadas em:
albuminas, globulinas glutelinas, prolaminas, protaminas e escleroproteínas. As
albuminas são solúveis em água ou solução de cloreto de sódio 0,9% (NaCl 0,9%)
diluída; as globulinas, insolúveis em água, mas solúveis em solução de NaCl, as
glutelinas, solúveis em solu- ções ácidas ou soluções básicas; as prolaminas,
solúveis em solução de etanol 70 - 80%, mas insolúveis em água.
Tabela - Classificação das proteínas quanto à solubilidade
CLASSIFICAÇÃO DAS PROTEÍNAS QUANTO À COMPOSIÇÃO
Quanto
à composição, as proteínas são classificadas em simples e conjugadas. As
proteínas simples são formadas somente por aminoácidos, enquanto que as
proteínas conjugadas apresentam um cofator ligado à cadeia polipeptídica. O
cofator é um grupo químico de natureza inorgânica (normalmente um íon metal
como o Fe2+, Cu2+, Mg2+, etc.) ou de natureza orgânica (composto de carbono,
como o grupo heme da hemoglobina). O cofator de natureza orgânica é denominado
coenzima. Quando o cofator se liga de forma covalente a cadeia polipeptídica da
proteína conjugada ele passa a ser denominado grupo prostético A apoproteína é
a porção protéica da proteína conjugada sem o cofator ou grupo prostético,
enquanto holoproteína refere-se à proteína conjugada completa, ou seja, ligada
ao seu cofator ou grupo prostético. As proteínas conjugadas são classificadas
de acordo com a natureza química dos cofatores em: lipoproteínas,
glicoproteínas, fosfoproteínas, hemeproteínas, flavoproteínas, metaloproteínas,
etc.
Tabela - Classificação das proteínas conjugadas
CLASSIFICAÇÃO QUANTO AO NÚMERO DE CADEIAS POLIPEPTÍDICAS
Quanto
ao número de cadeias polipeptídicas as proteínas são classificadas em
monoméricas e multiméricas. Proteínas monoméricas. São formadas por apenas uma
única cadeia polipeptídica. Exemplos: Mioglobina, albumina, caseína, etc.
Proteínas multiméricas. São formadas por mais de uma cadeia polipeptídica,
interligadas por ligação covalente. Dentre as multiméricas existem ainda as
proteínas oligoméricas, que são formadas por mais de uma cadeia polipeptídicas
não interligadas por ligação covalente. A a hemoglobina é um exemplo clássico
de proteína oligomérica. A hemoglobina é formada por quatro cadeias
polipeptídicas, sendo duas cadeias a e duas cadeias â. A estrutura dessa
proteína será estudada mais detalhadamente na aula “estruturas tridimensionais
e funções biológicas das proteínas globulares”.
CLASSIFICAÇÃO DAS PROTEÍNAS QUANTO À FORMA
De
acordo com a sua estrutura ou forma, as proteínas são classificadas em fibrosas
e globulares. As proteínas fibrosas são insolúveis em água e desempenham
funções estruturais e de proteção externa, como por exemplo, a a-queratina,
encontrada em estruturas como: garra de animais, cabelo, pena, casco de
animais. Como muitas proteínas dessa classe formam estruturas em forma de
fibras foram denominadas fibrosas. Nem toda proteína fibrosa apresenta
estrutura em forma de fibra, exemplo disso são a elastina, alguns tipos de
colágenos e as â-queratinas, sendo consideradas como dessa classe devido a sua
insolubilidade em água e as suas funções estruturais.
Tabela: Tipos de proteínas fibrosas

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