ENZIMAS
As
enzimas são proteínas com a função específica de acelerar reações químicas nas
células. A maioria das enzimas é proteína globular, excetuando- se as
ribozimas, que são enzimas de ribonucleotídeos, as unidades do RNA. As enzimas
são os catalisadores mais notáveis, devido às propriedadesdescritas abaixo:
Catalisam reações nas
condições do ambiente celular. As enzimas são capazes de acelerar velocidades
de reações nas condições do ambiente celular, ou seja, a uma temperatura de
37oC e pH de 7,4 (valor do pH do plasma sanguíneo). Os catalisadores químicos
(como platina e níquel) atuam apenas sob temperatura muito elevada, pressão
alta e valores de pH ácido ou básico. Se as enzimas atuassem em condições tão
extremas como os catalisadores químicos, a vida de animais (como os mamíferos)
não seria possível, pois essas condições levariam inevitavelmente à destruição
da célula.
Apresentam especificidade
por seu substrato. Diferentemente dos catalisadores químicos que não demonstram
especificidade por seus substratos, as enzimas são específicas por seus
substratos. As ações catalíticas das enzimas não levam à formação de
contaminantes..
Apresentam alto poder
catalítico. As enzimas podem acelerar velocidade de reações químicas
multiplicando-a por fatores de 1017. Na ausência de enzimas, a maioria das
reações biológicas seria tão lenta, que essas reações não ocorreriam nas
condições de temperatura e pH das células. Por exemplo, a hidratação do dióxido
de carbono (CO2,) formando o ácido carbônico (H2CO3) na célula, pode ocorrer
sem a presença de enzima, no entanto, essa reação levaria muito tempo para se
completar, o que não seria compatível com as necessidades das células. A
hidratação do CO2, catalisada pela anidrase carbônica, ocorre em uma velocidade
incomparavelmente alta.
Apresentam regulação de sua
atividade catalítica. As enzimas reguladoras (alostéricas e as enzimas
reguladas covalentemente) têm suas ações catalíticas reguladas de acordo com as
necessidades metabólicas das células. As moléculas que se ligam à estrutura
protéica da enzima alostéricas, regulando a sua atividade catalítica são
denominados moduladores, efetores ou reguladores. Os moduladores podem ser
tanto ativadores quanto inibidores da atividade catalítica.
COFATORES E COENZIMAS
Como proteínas, as enzimas podem ser também
simples e conjugadas, As enzimas conjugadas necessitam de cofatores (moléculas
orgânica ou inorgânica) para exercer as suas atividades catalíticas. Os
cofatores se ligam (transitória e frouxamente) ao sítio ativo da enzima por
interações químicas não-covalente, como também podem se ligar (permanentemente)
por ligação covalente. Nem toda enzima requer um cofator para exercer a sua
atividade catalítica, exemplo desta classe são as enzimas ribonuclease,
tripsina, quimotripsina, etc. Os cofatores inorgânicos são normalmente íons
metálicos, como Fe2+, Cu2+, Zn2+. O cofator orgânico é denominado coenzima.
A porção protéica da enzima conjugada é a
apoproteína ou apoenzima. Quando o cofator se liga firme e permanentemente ao
sítio ativo da enzima é denominado grupo prostético. Exemplo: o grupo heme da
hemoglobina. Desta forma, a enzima conjugada cataliticamente ativa, ou seja,
ligada ao seu cofator é denominada holoenzima.
Cofatores
metálicos
NOMENCLATURA E CLASSIFICAÇÃO DAS ENZIMAS
Muitas enzimas são ainda designadas em livros
textos de bioquímica por seu nome comum, cuja regra na maioria dos casos é
feita de duas formas a saber:
Pela adição do sufixo -ase ao nome do substrato
sobre os quais elas atuam; por exemplo, a enzima que hidrolisa a uréia é
denominada urease; o amido, a amilase; ésteres do fosfato, as fosfatases.
Outras são designadas pelo tipo de ação catalítica que realizam, tais como,
anidrase carbônica; D-amino oxidase; lactato desidrogenase. Algumas levam nomes
vulgares como a tripsina, pepsina, emulsina, etc. Pela designação de nomes
comuns, como os das proteínas, que se caracteriza pela terminação ina, como:
tripsina, pepsina, emulsina, etc.
A União Internacional de Bioquímica e Biologia
Molecular (IUBMB) adotou um sistema racional e prático de nomenclatura
identificando as enzimas em seis classes, de acordo com a natureza da reação
química que catalisam. Para cada enzima, são atribuídos dois nomes e um número
de classificação de quatro dígitos que identificam as classes, as subclasses e
as sub-subclasses. Mas essa nomenclatura não será objeto do nosso estudo, para
nossos propósitos será mencionada nessa aula apenas a classificação
internacional sistemática para as enzimas adotada pela IUBMB.
Nessa classificação as enzimas são agrupadas em
seis classes segundo o tipo de reação catalisada: oxirredutases, transferases,
hidrolases, liases, isomerases e ligases.
a) Oxirredutases. Catalisam
reações de óxido-redução (reações com transferência de elétrons). Essa classe é
subdivida em várias subclasses como, por exemplo:
– Desidrogenases. Catalisam
reações de óxido redução removendo elétrons na forma de um íon hidreto de seus
substratos. O íon hidreto é um átomo de hidrogênio carregado negativamente e
com dois elétrons (-H:);
– Redutases. Catalisam
reações de redução, ou seja, adicionam átomos de hidrogênio ao substrato.
– Oxigenases. Catalisam a
adição do oxigênio molecular ao substrato.
b) Transferases. São
enzimas que catalisam reações de transferência de grupos, como por exemplo:
– Transaminases ou
aminotransferases. Transferem grupos amino (NH2) de um aminoácido para um cetoácido.
– Quinases ou cinases.
Transferem um grupo fosfato de um composto fosforilado, como o ATP, para seus
substratos.
c) Hidrolases. São enzimas
que catalisam reações de hidrólise, como por exemplo:
– Hidroxilases – adicionam
um átomo de oxigênio do O2 no substrato, produzindo um grupo hidroxila (OH).
– Glicosidases. Hidrolisam
ligações glicosídicas, ligações covalentes que unem os monossacarídeos
– Peptidases. Hidrolisam
ligações peptídicas.
d) Liases. Catalisam
reações de adição de grupos químicos a duplas ligações ou retiram esses grupos,
produzindo duplas ligações.
e) Isomerases. Catalisam
reações que levam a formação de isômeros.
f) Ligases. Catalisam
reações em que há formação de ligações covalentes C-C, C-S, C-O e C-N acopladas
à energia de hidrólise de compostos do tipo nucleotídeo trifosfato como ATP, ou
de outros compostos ricos em energia que não nucleotídeos trifosfatos.

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