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sexta-feira, 24 de dezembro de 2021

FUNÇÕES BIOLÓGICAS DAS CERAS

 

 

 

FUNÇÕES BIOLÓGICAS DAS CERAS

                    As ceras apresentam diversas funções na natureza, especialmente por ter propriedade repelente à água e sua consistência firme. Dentre as principais funções, merecem destaque: Reserva energética – especialmente importante para a população de organismos marinhos flutuando livremente e que estão na base da cadeia alimentar dos ecossistemas aquáticos (o plâncton). Impermebializante – Alguns animais vertebrados possuem glândulas na pele que secretam ceras. A cera secretada por essas glândulas protegem o pêlo e a pele desses mantendo-os flexíveis, lubrificados e à prova de água (impermeáveis). Os pássaros marinhos, inclusive, secretam ceras de suas glândulas para manter suas penas repelentes à água, evitando o acúmulo de um sobrepeso – representado pelo líquido – sobre suas asas que comprometeria sua mobilidade no ar e na água. Proteção contra evaporação e ataque de parasitas. As folhas brilhantes de azevinhos, rododentros, marfim venenoso e muitas outras plantas tropicais são cobertas por uma grossa camada de cera. Essa camada de cera serve para impedir a evaporação excessiva da água – evitando sua desidratação – e proteger a planta do ataque de parasitas.

 

LIPÍDIOS DE MEMBRANAS BIOLÓGICAS

                   Os lipídios que entram na composição das membranas das células são moléculas anfipáticas. Esses lipídios apresentam uma cadeia hidrocarbonada apolar (denominada cauda) e um grupo polar (denominado cabeça). Essa estrutura em bicamada é estabilizada por interação hidrofóbica, que ocorre com a associação das caudas apolares desses lipí- dios, e as interações hidrofílicas – como pontes de hidrogênio – que ocorrem com os grupos polares e a água.

 

CLASSIFICAÇÃO DOS LIPÍDIOS DE MEMBRANAS BIOLÓGICAS

                   Os lipídios de membranas biológicas são agrupados em três classes: glicerofosfolipídios, esfingolipídios e colesterol. Os glicerofosfolipídios e esfingolipídios se agrupam em duas subclasses: fosfolipídios e glicolipídios. Os fosfolipídios são lipídios de membranas que apresentam fosfato em suas estruturas. Os glicolipídios são os lipí- dios que apresentam como grupo polar um monossacarídeo ou oligossacarídeos. A enorme diversidade de estruturas químicas que se observa nas classes dos lipídios de membranas se deve às diversas possibilidades de combinações das cadeias hidrocarbonadas dos ácidos graxos e com os grupos químicos que podem formar as cabeças polares.

 

 

GLICEROFOSFOLIPÍDIOS OU FOSFOGLICERÍDEOS

                   Estruturas dos glicerofosfolipídios. Os glicerofosfolipídios ou fosfoglicerídeos são os lipídios de membranas mais abundantemente encontrados nas membranas das células. Todos os lipídios dessa classe são derivados do ácido fosfatídico. O ácido fosfatídico é uma molécula formada por glicerol, duas unidades de ácidos graxos e um grupo fosfato. As molé- culas de ácidos graxos se ligam às hidroxilas (OH) do primeiro e do segundo carbono do glicerol e o grupo fosfato se liga a OH do terceiro carbono do glicerol.

Tipos de glicerofosfolipídios. Os glicerofosfolipídios são classificados de acordo com o álcool ligado ao grupo fosfato em: fosfatidilcolina (lecitina), fosfatidiletanolamina (cefalina), fosfatidilglicerol e fosfatidilserina (Figura 13). Os ácidos graxos freqüentemente encontrados nos glicerofosfolipídios apresentam uma cadeia hidrocarbonada contendo entre 16 e 20 átomos de carbono. Os ácidos graxos saturados são encontrados, geralmente, no C-1 do glicerol, enquanto a posição C-2 é freqüentemente ocupada por ácidos graxos insaturados.

 

 

ESFINGOLIPÍDIOS

                   Os esfingolipídios são formados por uma molécula de esfingosina (um aminoálcool de cadeia longa), um ácido graxo de cadeia longa e um grupo polar. Os carbonos, C-1, C-2 e C-3 da molécula de esfingosina são estruturalmente análogos aos três grupos hidroxila do glicerol, diferindo apenas pelo fato de que no C-2 é encontrado um grupo amino (NH2 ), em vez de uma OH. Quando o ácido graxo está ligado ao grupo -NH2 do C-2, o composto resultante é uma ceramida. Vale destacar, que a ceramida é o precursor estrutural de todos os esfingolipídios. Os esfingolipídios, todos eles derivados da ceramida, são classificados em: esfingomielinas e glicoesfingolipídios. Os glicoesfingolipídios, por sua vez, são subdivididos em, globosídeos, cerebrosídeos e gangliosídeos.

 

ESFINGOMIELINAS

                   As esfingomielinas possuem a fosfocolina ou a fosfoetanolamina como seu grupo polar ligado ao C-1 da ceramida. As esfingomielinas estão presentes na membrana plasmática de células animai e na bainha de mielina (membrana que envolve e isola os axônios dos neurônios).

 

GLICOESFINGOLIPÍDIOS

                   Os glicoesfingolipídios possuem uma ou mais unidades de monossacarídeos como grupo polar ligado à hidroxila (OH) do C-1 da ceramida. São agrupados em 4 classes: cerebrosídeos, globosídeos e gangliosídeos.

 

CEREBROSÍDEOS

                   São glicoesfingolipídios que apresentam apenas uma unidade de monossacarídeo ligado à ceramida. Os cerebrosídeos de galactose são encontrados na membrana plasmática de células dos tecidos nervoso. São denominados galactocerebrosídeo. Os cerebrosídeos de glicose são encontrados em membranas de tecidos não neurais e são denominados glicocerebrosídeo.

 

GLOBOSÍDEOS

                   São glicoesfingolipídios formados por duas ou mais unidades de monossacarídeos, normalmente di, tri e tetrassacarídeos. Os monossacarídeos que entram na composição desses lipídios são D-glicose, D-galactose ou N-acetil-D-galactosamina. Os globosídeos são encontrados na face externa da membrana plasmática, voltando-se para a matriz extracelular.

 

GANGLIOSÍDEOS

                   São os glicoesfingolipídios que apresentam estruturas químicas bem mais complexas quando comparados aos demais esfingolipídios. Nesses lipídios, o grupo polar é uma cadeia de oligossacarídeo formado por várias unidades de monossacarídeos que se ligam a OH do C-1. O que os diferencia dos globosídeos, é que nos gangliosídeos uma ou mais unidades de monossacarídeos são de ácidos N-acetilneuramínico (ácido siálico). Os gangliosídeos estão presentes em cerca de 6% da massa cinzenta do cérebro e em menores quantidades em tecidos não neurais. Os nomes dos gangliosídeos incluem letras e números subscritos. As letras M, D e T indicam que a molécula contém um, dois ou três resíduos de ácido siálico, respectivamente. Já os números designam a seqüência de açúcares ligados à ceramida. Os gangliosídeos GM1, GM2 e GM3 são os mais conhecidos.

 

ESTERÓIDES

                   Os esteróides são lipídios que se caracterizam por conter o núcleo esteróide composto de quatro anéis fundidos, A, B, C e D. Os esteróides não são formados por ácidos graxos. O colesterol é o principal esteróide presente nos tecidos animais, frequentemente encontrado nas membranas das células animais. O colesterol é uma molé- cula anfipática, cujo grupo polar é uma hidroxila que se liga ao C-3 do anel A. O grupo apolar do colesterol compreende tanto parte do núcleo esteróide quanto a longa cadeia hidrocarbonada que se liga ao carbono 13 do anel D.

                   Os ácidos biliares são esteróides formados a partir do colesterol. Como exemplo, temos o ácido taurocólico, cuja cadeia lateral no C17 do núcleo esteróide é hidrofílica. Os ácidos biliares atuam como detergentes nos intestinos, emulsificando as gorduras provenientes da dieta alimentar. Dessa forma, a ação dos agentes emulsificantes facilita a ação das lipases digestivas, enzimas que hidrolisam as gorduras obtidas da alimentação.

                   Os hormônios sexuais e do córtex da glândula adrenal são lipídios da classe dos esteróides. Exemplos dessa classe de esteróides são a testosterona (hormônio sexual masculino), o estradiol (hormônio sexual feminino), o cortisol e a aldosterona (hormônios do córtex adrenal).

 

METABOLISMO CELULAR

                   É o conjunto de reações químicas que ocorrem na célula para que ela possa desempenhar suas atividades.

ATP =  ADP + Pi + Energia

                   As moléculas de ATP não podem ser estocadas, desse modo, as células armazenam energia principalmente na forma de glicídios e lipídios.

                   Quando a célula precisa de ATP, elas metabolizam preferencialmente a glicose (da alimentação) por meio da Fermentação e da Respiração Celular, enquanto que os autótrofos produzem sua própria glicose por meio da Fotossíntese.

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