Capítulo I
Exames em Laboratórios de Análises
Clínicas
1. Introdução.
Existem aproximadamente mais de 1400 tipos de
exames laboratoriais.
Neste Curso desenvolvemos a temática Bioquímica e
com referência algumas informações e orientações para a indicação de cada exame,
como por exemplo, testes para diagnóstico da infecção por HIV.
Este material didático também será referência para
à Disciplina Bioquímica Clínica que será em breve apresentada.
A análise clínica ajuda a diagnosticar algum dado
ou característica que possa ajudar no diagnóstico de alguma anomalia ou
problema de saúde. O exame pode incluir,
por exemplo, a coleta de materiais como urina, sangue, fezes ou outros, para
serem analisadas e servirem para construir dados.
1.1. Os exames.
Os exames mais comuns são:
I. Hemograma
completo;
II. Glicose;
III. Ureia;
IV. Creatinina;,
V. Colesterol
total;
VI. Triglicerídeos;
VII. Ácido úrico;
VIII. Hemostasia;
IX. Imunologia;
X. Parasitológico;
XI. Sumário de
urina,
XII. Cultura
bacteriológica;
XIII. Antibiograma.
A Introdução à Bioquímica será pré-requisito para a
Bioquímica Clínica.
A bioquímica clínica é uma das áreas da saúde que se
tem contato diário, na prática, ainda que pouco ou nada saiba sobre o conceito.
Não é difícil de entender. De uma forma ou de outra,
em algum momento da vida, se realiza algum tipo de exame laboratorial.
Seja em um check-up anual ou para analisar a origem
de certos sintomas e oferecer um diagnóstico médico mais preciso. O procedimento
ocorre ao se investigar processos metabólicos do nosso organismo através da
coleta de sangue, urina, fezes, entre outros materiais orgânicos. Surge neste
momento a ação de e competência de um bioquímico clínico. Ou um biólogo analista
clínico. Essa e a relação que se tem no dia-a-dia.
A bioquímica é a ciência e tecnologia que estuda os
processos metabólicos que acontecem nos organismos vivos. No caso da bioquímica
clínica, todos esses conceitos são aplicados na investigação de materiais
orgânicos para a percepção de mudanças moleculares que acontecem nas células
humanas que geram doenças.
Indiscutivelmente, ela é uma grande aliada da
medicina na prevenção, no diagnóstico e no tratamento de enfermidades,
oferecendo dados relevantes acerca da saúde do paciente, através de exames
laboratoriais.
A bioquímica como todas as demais ciências, passou
por diversos processos, estudos e descobertas até chegar ao status de hoje. Acredita-se
que daqui a alguns anos, com o incremento de novas tecnologias, e pesquisas vão
ser desenvolvidas e o patamar da química da vida vai evoluir ainda mais.
A bioquímica passou a ser propalada no final do século XIX e
popularmente difundido já no século XX.
No entanto, isso não quer dizer que conceitos como respiração,
fotossíntese e fermentação, por exemplo, demoraram todo esse tempo para serem
estudados.
Por volta de 3 mil a.C, os aldeões já produziam pão
com leveduras (fermento natural), em um trabalho rudimentar que mais tarde
seria aprofundado por Louis Pasteur, em meados dos anos de 1900.
A alquimia, uma das das bases da química moderna e
que utilizava poções extraídas de plantas e minerais, também surgiu nos
primórdios da civilização, mais precisamente, na Grécia Antiga.
Ai encontramos a precursão de tudo na bioquímica
clínica.
Outros fatores evoluíram no conhecimento como por,
exemplo: O estudo do metabolismo.
O princípio atômico. Um dos grandes motivos que fez
com que a bioquímica demorasse tanto tempo para começar a ser estudada, de
fato, é que ela não é uma ciência que possa ser vista a olho nu. Por esse motivo, o desenvolvimento do
“atomicismo” foi tão importante. Com a invenção do microscópio composto, os
pesquisadores começaram a enxergar os corpos como composições formadas por
pequenas partículas. Robert Boyle foi o primeiro cientista a considerar a
matéria como um conjunto de crepúsculos. Também determinou que as propriedades
das matérias são explicadas pelas características físicas (forma e tamanho) e
dos movimentos desses pequenos corpos, os quais realizam as transformações
químicas por meio de interações mútuas.
A importância de Lavoisier. Antoine Laurent
Lavoisier ficou conhecido pela sua Lei da Conservação das Massas e sua célebre
frase: “Na natureza nada se cria, nada se perde e tudo se transforma”. No
entanto, sua contribuição para a ciência vai além, com uma importância vital
para a bioquímica. Afinal, foi Lavoisier que demonstrou que a respiração tem
suas semelhanças com a reação química da oxidação de metais e não metais. O
químico francês comprovou que os dois processos eram idênticos, pois, no caso
da combustão, por exemplo, ambos têm a ingresso do oxigênio e a liberação de
gás carbônico.
A Teoria da Fotossíntese. Mais ou menos no mesmo
período dos experimentos de Lavoisier e muito em função das suas descobertas
que, no final do século XVIII, Jean Senebier e Jan Ingenhousz criar a Teoria da
Fotossíntese. Os dois adicionaram os conhecimentos acerca da respiração celular
à importância da luz do sol para a troca de gases das plantas.
A síntese da ureia. Outro marco importante para a
bioquímica foi realizado pelo químico alemão Friedrich Wöhler em 1828. Ele foi
o responsável por sintetizar a substância orgânica uréia (presente na nossa urina),
a convertendo a partir do sal de cianato de amônio. A descoberta fez o químico
alemão desconstruir a Teoria da Força Vital, algo muito forte na época. Até
então, os pesquisadores acreditavam que apenas seres vivos eram capazes de
produzir matéria orgânica.
Isolamento da primeira enzima. Cinco anos depois,
veio outra contribuição importante. O
pesquisador francês Anselme Payen descobriu e isolou a primeira enzima.
Na época, ela foi chamada de diástase, mas,
atualmente, possui o nome de amilase. Ela é encontrada na saliva, onde é
denominada ptialina, e também no pâncreas, conhecida como amilase pancreática.
Para muitos estudiosos, a descoberta de Payen foi um dos principais marcos do
surgimento da bioquímica moderna.
Descoberta da molécula de DNA. Em 1869, o
bioquímico alemão Johann Miescher descobriu a molécula do ácido
desoxirribonucleico (DNA). Foi ao realizar um experimento para tentar descobrir
quais componentes químicos integravam o núcleo das células.
Isolamento das bases nitrogenadas. A descoberta de
Miescher, por sua vez, foi fundamental para o desenvolvimento do próximo passo.
Conhecidos os componentes que faziam parte do núcleo das células, outro
bioquímico, Albrecht Kossel, estudou mais a fundo essas moléculas e percebeu
que continuam nitrogênio em grandes quantidades. Foi o suficiente para Kossel
isolar e nomear as cinco bases nitrogenadas (adenina, guanina, timina, citosina
e uracila) presentes nas estruturas do DNA e do RNA.
Fermentação - O uso de leveduras da produção de
pães e que, mais tarde, a fermentação traria contribuições inestimáveis para a
bioquímica. Louis Pasteur descobriu que certas leveduras faziam parte do
processo de fermentação. Portanto, não se tratava apenas de algo químico, mas
também biológico, uma vez que está relacionado com a vida e a organização
celular dos fungos. A descoberta de Pasteur ajudou a acabar com o pensamento
vigente da época da geração espontânea e natural de seres vivos. Algo que
Eduard Buchner, em 1896, conseguiu comprovar através de uma demonstração de um
processo de fermentação alcoólica fora da célula. O experimento rendeu a
Buchner o Prêmio Nobel de Química de 1907.
Nova tecnologia. A entrada no século XX foi marcada
pelo desenvolvimento de novas tecnologias que revolucionaram a bioquímica. A
partir da década de 1920, técnicas como a difração de raios-X, a cromatografia,
a microscopia eletrônica, a espectroscopia por ressonância magnética nuclear,
entre outras, ajudaram na avaliação mais detalhada de moléculas e processos
metabólicos, favorecendo descobertas como, por exemplo, o Ciclo de Krebs. Esse
ciclo descreve uma série de reações químicas que acontecem nas células.
Criação do modelo atual de DNA. Com as novas
técnicas à disposição, mais especificamente a do raio-X, e contribuições de
outros cientistas, como James Summer (cristalização de proteínas) e Linus
Pauling (natureza das ligações químicas), três pesquisadores desenvolveram o
modelo de DNA conforme conhecemos hoje. A estrutura em questão é formada por camadas
tridimensionais proteicas e de dupla hélice.
Estudos sobre genoma. Da segunda metade do século
XX para cá, os avanços da bioquímica estão atrelados a estudos sobre o genoma
humano. Em 1983, por exemplo, foi mapeado, pela primeira vez, o gene causador
da doença de Huntington, um problema genético que causa a morte de células do
cérebro. Novas pesquisas foram realizadas e mais de mil genes de outras doenças
foram identificados. Nos tempos moderno a bioquímica interage com outras áreas
da saúde, como a genética, a biologia molecular, biotecnologia, entre outras.
Como já citado anteriormente, os exames de
bioquímica clínica ajudam a investigar o funcionamento dos processos
metabólicos dentro do nosso organismo.
Vejamos alguns exames biomarcadores, enumerando os tipos de
análises clínicas mais indicado para cada caso.
1. Biomarcadores da função hepática: Albumina
(sangue); Fosfatase alcalina (sangue); Bilirrubinas (sangue); Aspartato
aminotransferase (sangue).
2. Biomarcadores da função renal: Urina de rotina;
Uréia (urina); Creatinina (sangue ou urina);
Proteinúria 24 horas (urina).
3. Biomarcadores da função cardíaca:
Creatinoquinase (sangue); Mioglobina (sangue); Troponinas (sangue);
Homocisteína (sangue).
4. Biomarcadores do metabolismo da glicose: Glicemia
de jejum e após sobrecarga (sangue); Lactato (sangue); Hemoglobina glicada
(sangue); Insulina (sangue).
5. Biomarcadores da função da tireóide: T3 total
(sangue); T4 livre (sangue); T4 total (sangue)
TSH (sangue).
6. Biomarcadores do metabolismo lipídico:
Colesterol total (sangue); Lipoproteína de alta e baixa densidade (sangue);
Apolipoproteína A-1 (sangue); Apolipoproteína B (sangue).
7. Biomarcadores de fase aguda: Proteína C- reativa
(sangue); Interleucinas (sangue);
Velocidade de hemossedimentação (sangue); Fator de
necrose tumoral (sangue).
8. Biomarcadores do metabolismo ósseo: Ferro
(sangue); Cálcio (sangue); Vitamina D (sangue)
Paratormônio (sangue).
9. Biomarcadores do equilíbrio hidroeletrolítico:
Sódio (sangue); Potássio (sangue); Magnésio (sangue); Cloretos (sangue).
10. Biomarcadores do equilíbrio acidobásico:
Potencial hidrogeniônico (pH) (sangue ou urina); Pressão parcial de oxigênio
(sangue); Pressão parcial de gás carbônico (sangue); Íons bicarbonato (sangue).
11. Eletroforese de proteínas: Albumina (sangue);
Alfa globulina (sangue); Beta globulina (sangue); Gama globulina (sangue).
12. Biomarcadores do metabolismo do ferro: Ferro
sérico (sangue); Transferrina (sangue)
Hepcidina (sangue); Hemossiderina (sangue).
13. Biomarcadores das anemias macrocíticas:
Vitamina B12 (sangue);
Ácido fólico (sangue); Homocisteína (sangue); Ácido
metilmalônico (sangue).
14. Biomarcadores da função reumática: Fator
antinuclear (sangue); Fator reumatóide (sangue); Anticoagulante lúpico
(sangue).
15. Bioquímica do líquido cefalorraquidiano:
Proteínas totais (LCR); Lactato (LCR); Glicose (LCR); Cloretos (LCR).
16. Biomarcadores da desnutrição: Albumina (sangue); Transferrina (sangue);
Balanço nitrogenado (sangue); Proteína transportadora do retinol (sangue).
17. Biomarcadores da função pancreática: Lipase
(sangue); Alfa-amilase (sangue ou urina); Relação da depuração de amilase pela
depuração de creatinina (sangue).
18. Biomarcadores da função pulmonar:
Alfa-1-antitripsina (sangue); Dímero D (sangue).
Logo fica claro que o Analista Clínico deve ter uma
boa formação técnica científica, pois, assim o seu objetivo é estar em
exercício em um laboratório de análises clínicas. Todos os exames listados nos
“biomarcadores” acima podem ser realizados em uma laboratório de análises
clínicas. Obvio que este local tem como
principal objetivo ajudar no diagnóstico de doenças e na prevenção delas. Afinal, quando são realizados exames
periódicos, os tradicionais check-ups, as chances de antecipar um problema ou
detectá-lo logo no início são muito maiores.

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